6° ConsegNNE: Inovação no mercado de seguros não é apenas tecnológica

Em seguros, a inovação tem o sentido de gerar aproximação com os corretores e clientes, além de aprimorar processos preservando o relacionamento humano e a confiança

Seja uma companhia secular ou uma nova entrante, a inovação se faz presente nas seguradoras. Aliás, quando se fala de mercado de seguros é fato que a inovação não tem como premissa apenas a tecnologia. Mas, sim, transformações mais profundas no dia a dia visando uma melhora nas experiências do corretor de seguros e do cliente.

Na visão de Eduard Folch Rue, CEO da Allianz, falar de inovação em seguros é falar de um processo constante. “Seguro sempre foi inovador, respeitando as formas de comunicação, pois hoje há novas formas de se relacionar e trazer negócios. Seguros sempre foi um setor que foi inovando e se aproximando”, destacou.

Para ele, seguros é um mercado em que a tecnologia vem só para ajudar no relacionamento e não muda o essencial. “A riqueza da relação pessoal e dos intercâmbios é a forma que a Allianz encontrou para inovar e estar próxima ao corretor”.

Na perspectiva da Allianz, o uso da IA vem tem como premissa a transparência, a responsabilidade, a confiança e a ética, além de compartilhar os valores da companhia, dos corretores e das assessorias.

“O uso da tecnologia tem como base a melhora das comunicações e dos processos, por exemplo, o pagamento rápido do sinistro.  A inovação vem para liberar as pessoas de tarefas que não são tão relevantes para focar na proximidade”, disse o CEO da companhia que implementa pequenas inovações para melhorar a relação com os corretores.

Humanização da relação comercial

“A humanização da relação comercial continua sendo um pilar fundamental. A inovação é muito mais do que tecnologia, ela é muito relacional. Ela nos habilita cada vez mais. Criar soluções para um público que cada vez mais digital e exigentes”, comentou Nelson Alves, COO da Mapfre.

Ele lembrou que a Mapfre vem um processo de transformação, que culminou recentemente no rebranding, ao refletir maior proximidade com o corretor e com o cliente. “A IA veio para ficar. Essa tecnologia vai permitir que possamos atender de forma mais personalizada, ou seja, a hiperpersonalização para entender as necessidades dos clientes. A IA vai permitir que o Brasil avance na penetração do seguro”, descreveu Alves.

A troca de informação e dados deve ser utilizada para conhecer as pessoas e oferecer produtos mais adaptados. “A omnicanalidade é o que temos que oferecer. Temos que ser capazes de atender da forma como o cliente se sente mais confortável. Vivemos um mundo novo com avanços muito rápidos”, comentou o COO da Mapfre.

Novas soluções para cobrir gaps

Ney Dias, diretor-presidente da Bradesco Auto/RE e presidente da Federação Nacional de Seguros Gerais (FenSeg), destacou o gap de proteção securitária no Brasil.

“O seguro tem uma lógica. Tem lugares que não deveríamos ter pessoas vivendo. Não é questão securitária, mas sim humanitária”, ressaltou.

Como um avanço do setor, a FenSeg e a Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg) desenvolveram um mecanismo para diagnosticar o risco em microrregiões por latitude e longitude. “Estamos mapeando os riscos por camadas. Começamos por alagamento, agora estamos indo para vendaval. É assim vamos mapeando os riscos Brasil afora para que as seguradoras tenham uma condição melhor de mapear e cobrir o risco”.

Como prova das transformações, ele lembrou que há cerca de um ano, apenas quatro companhias davam cobertura para alagamento e, agora, mais seis seguradoras oferecem a cobertura. “De forma técnica, estruturada e sustentável, estamos conseguindo ampliar a oferta de seguro para uma condição que tem se tornado mais frequente no nosso país”, destacou Dias.

Já no âmbito do Grupo Bradesco, ele lembrou a possibilidade de pagamento de seguro de auto e residencial com pontos livelo. “Assim fica mais fácil de vender o seguro. Quem vai mudar a cultura do seguro somos nós.  Hoje é muito mais fácil desenvolver um vídeo explicando uma cobertura. Temos o propósito importantíssimo de seguir reduzindo esse gap de proteção. Isso é oportunidade de negócios para cada um de vocês”, comentou.

Com grande histórico de inovação, a Porto também instiga seus times para inovar. “Temos uma agenda em comum na inovação que deveria ser pautado em uma direção exclusiva de como aumentar a penetração de seguros no Brasil, em praticamente todos os ramos e dimensões”, comentou Paulo Kakinoff, CEO da Porto.

Nesse sentido, ele convidou a todos refletirem sobre a cobertura de alagamento ou de danos causados por água. “Será que não somos capazes de em um esforço combinado oferecer uma proteção para quem, de fato, está em áreas expostas e que não pode pagar pela cobertura. Quando olhamos para a forma como estamos organizados como indústria, a competência que temos, será que não podemos criar coletivamente uma solução que possa impactar a sociedade como um todo e também reverberar em negócios para nós”, analisou Kakinoff.

O CEO da Porto ressaltou que a tecnologia deve vir para potencializar ao máximo o relacionamento humano.

Inovação no dia a dia

“A inovação não é só a tecnologia. Fazemos a inovação no dia a dia. As pequenas coisas que fazemos no dia a dia acabam fazendo muita mais diferença do que um grande projeto”, frisou Marcelo Goldman, diretor da Tokio Marine.

Ele citou como exemplo no seguro residencial a existência da cobertura de despesas de aluguel. “Temos no Brasil um problema de violência doméstica contra as mulheres. Usamos a cobertura de despesas de aluguel e, caso ocorra uma violência, a mulher pode utilizar essa verba para sair da casa. Isso foi uma mudança nas condições gerais”, exemplificou Goldman, sobre algo que revela também um lado social e super importante.

“Queremos melhorar a experiência do cliente e do corretor. Por isso, usamos a IA também para diminuir o tempo de sinistro. No seguro auto, por exemplo, estamos conseguindo liquidar em dois dias, em fiança locatícia em três dias, e temos uma experiência no seguro empresarial de liquidar em 30 minutos. Isso desde que a documentação esteja completa. A IA traz grandes possibilidades para nós”, comentou o diretor da Tokio Marine, que investe R$ 140 milhões por ano em tecnologia.

“A tecnologia não vai reduzir o relacionamento humano. Isso nunca vai acabar, principalmente no mercado de seguros”, ressaltou Goldman.

Na visão de Carlos Alberto Trindade, CEO da Alba Seguradora, a IA está multiplicando a inteligência das pessoas. “A percepção é a de que a IA teve, nos últimos quatro anos, uma evolução absurda. Entramos em um modo de que tudo é instantâneo e não aceitamos mais a fricção. Queremos tudo simples e rápido. Precisamos trabalhar para a fricção desaparecer”, opinou.

Trindade destaca que a parte humana ficará mais livre e forte para os corretores atenderem os seus clientes. “Que os corretores aproveitem esse tempo e levem o mercado segurador a crescimentos maiores”, recomendou o CEO da companhia, que pertence ao Grupo Aliança da Bahia que completou 156 anos em 2026.

Os executivos das seguradoras discutiram o tema “Inovação construindo relacionamentos e negócios” durante o 6° ConsegNNE realizado no Centro de Convenções de Salvador, nos dias 13 e 14 de março.

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