Novos tempos evidenciam a importância do seguro e ressaltam a importância das assessorias, dos corretores e das seguradoras em falar sobre isso diuturnamente
Hoje, o brasileiro conhece um pouco mais dos riscos aos quais está exposto. Essa constatação ganhou força após a ocorrência das chuvas torrenciais no Rio Grande do Sul em 2024 e, recentemente, com os efeitos do El Niño.
“O brasileiro sabe dos riscos, mas ainda não coloca o planejamento financeiro e o seguro no orçamento. Isso é um grande desafio para nós”, disse Felipe Barboza, gerente Canal Assessoria da Mapfre, durante o painel de Benefícios realizado na 3ª Convenção da Aconseg Centro-Oeste, realizada em Brasília (DF), nos dias 17 e 18 de agosto.
Na visão dele, o mercado de seguros tem hoje um grande concorrente, que são as bets. “A CNN fez uma reportagem que apontou que R$ 164,00 é o custo médio de bets por pessoa. Sabemos a idade média dos nossos clientes e quanto seria de capital. Precisamos sair um pouco da bolha”.
Ele indicou que a própria Mapfre tem esse objetivo com o Mapfre na Favela.
Sobre a bolha da previdência, Barboza ressaltou a importância de fazer com que o segurado entenda que talvez ele não se aposente na idade que planejou e não consiga atingir a reserva naquele momento. “Por isso ele precisa do apoio de uma seguradora, de uma assessoria e de um corretor de seguros para assessorá-lo e leva-lo a esse caminho”, disse o gerente da Mapfre, para quem é necessário que todos no mercado exerçam o papel de difundir a importância do seguro todos os dias. “O corretor fala para o vizinho, que fala para o irmão. E assim vamos conseguir alcançar um número maior de pessoas procurando se proteger”.
Segundo Alex Queiroz, superintendente sênior na Bradesco Vida e Previdência, no ano passado foram R$ 220,6 bilhões depositados pelos brasileiros no mercado de bets. “O seguro de vida é um tema que ninguém gosta de falar. A previdência, conforme apontado em pesquisa da Fenaprevi, está preocupada com a sua aposentadoria, mas 30% falaram que farão o plano no que vem. Se pegarmos a mesma pesquisa do ano passado, vamos ver que a resposta foi ‘o ano que vem’. As pessoas vão protelando. A população tem uma dissonância cognitiva, ou seja, quer fazer, sabe que precisa, mas não faz”.
A questão da previdência é apontada por Queiroz como prioritária, uma vez que a faixa etária da população está mudando. “No passado, tínhamos uma pirâmide em um formato; hoje já é outro. “Temos poucas pessoas pagando para muitas receberem previdência. É possível encontrar planos a partir de R$ 50,00 na nossa companhia. Cabe aos corretores e às assessorias falarem sobre o tema e despertarem o cliente, porque, infelizmente, ninguém acorda querendo falar de previdência e seguro de vida”.
No contexto da falta de cultura previdenciária, Jean Brunetto, diretor Comercial da Tokio Marine, destacou que o país é caracterizado pela informalidade. “Nós temos na construção civil em torno de 8 milhões de trabalhadores e em torno de 4 milhões são diaristas nas obras. Eles são bem remunerados. É só alguém entrar em uma obra e vai entender que tem espaço no orçamento deles. Temos em torno de 1,5 milhão de motoristas de Uber no Brasil. Você acha que o cara que está andando de Uber vai ter tempo para parar e analisar que a família dele está desprotegida? São mais de 10 milhões de profissionais que precisam de proteção”.
Brunetto lembrou que a população de baixa renda compra os planos funerários porque em algum momento um familiar faleceu e a família teve que se cotiza para enterrar. “Eles pagam caro por isso e o nosso mercado oferece soluções muito mais baratas e melhores. É uma crise de oferta. Os corretores que conheço que são sucesso de venda individual de vida são sucesso há muito tempo porque eles nunca perderam a habilidade de conversar com as pessoas”.

Propósito e catequização
“O seguro de vida tem um quê de propósito”, define Carlos Alberto Trindade, CEO da Alba Seguradora.
Isso porque os profissionais que comercializam o produto entendem que estão fazendo algo relevante socialmente, independentemente do nível social da família. “Ele se apaixona. Meu avô trabalhava nisso no começo do século passado (em 1920, na SulAmérica). Você pega o material daquela época e ele era uma catequização em cima de um propósito: de fazer o bem e proteger a família”.
Na visão de Trindade, ajustar produto para ter produtos cujos tickets tragam resoluções como o nutricionista online. “É pegar situações em que isso fique relevante para as pessoas e colocar produtos nesta direção, mas tem que ter um quê de propósito da seguradora, da assessoria e do corretor, em um modelo quase de catequese”.
No Saúde
Segundo Pablo Guimarães, superintendente sênior de Negócios da Bradesco Saúde, o próprio Sistema Único de Saúde (SUS) estimula a contratação do plano de saúde aos brasileiros que conseguem pagar pela proteção.
“No ramo saúde, o governo nos ajuda. Temos hoje 53 milhões da população atendida pela saúde suplementar; outras 75% são atendidas pelo SUS, mas 56% do custo do PIB é patrocinado pela saúde suplementar e 44% é o gasto da saúde pelo governo”.
Com a pressão econômica, as operadoras têm procurado desenvolver produtos adequados a cada região. “Vamos nos adequando às necessidades dos clientes de modo que caiba no bolso dele”, diz Guimarães ao lembrar que o saúde é um produto comprado pelo consumidor.
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