Bastidores do Seguro: Mudança climática é tema prioritário para o mercado segurador

Em edição especial, Bastidores mostra que o setor de seguros pode fazer parte da solução para tornar sociedades mais resilientes e mais sustentáveis

Nos últimos anos, é notório que o mercado de seguros brasileiro tornou-se um setor protagonista no combate às mudanças climáticas. Nesse contexto, uma missão organizada pela Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg) no Reino Unido reuniu executivos brasileiros para posicionar o mercado segurador no enfrentamento aos desafios impostos pelas alterações climáticas, no final de  junho, durante a London Climate Action Week.

Em um episódio especial, o Bastidores do Seguro, uma parceria da Revista Cobertura com a TV Planos Seguros, acompanhou, com exclusividade, toda a agenda do setor segurador em Londres, além da reportagem especial publicada na edição de junho (288) da publicação.

Para Dyogo Oliveira, presidente da CNseg, a London Climate Action Week foi um passo fundamental para debater temas importantes que envolvem a sociedade global, principalmente as mudanças climáticas, a evolução tecnológica, a sustentabilidade e as finanças sustentáveis.

Segundo o presidente, participar deste evento é fundamental para demonstrar a participação do setor de seguros diante dos efeitos climáticos. “O grande objetivo é principalmente apresentarmos o mercado de seguros nessas discussões e também trocar experiências com outros países de como eles estão lidando e solucionando dentro da indústria de seguros os riscos relacionados ao clima”.

Já Pedro Farme, CEO da Guy Carpenter, afirma que a presença do setor fomenta novas oportunidades, atração de capital, tecnologia e conhecimento. “Conseguimos expor também o que nós temos de tecnologia aqui fora. Por exemplo, trazer a Flood Re e a OCA para falar com a delegação brasileira e, ao mesmo tempo, estimular o mercado brasileiro de onde todos fazemos parte”.

Durante o encontro na Guy Carpenter foi apresentada a Flood Re, uma parceria público-privada, em que imóveis localizados em áreas sujeitas a enchentes conseguem ter acesso a seguros com preços mais acessíveis. Em 2016, a cotação média de uma apólice era de cerca de 4,5 mil libras esterlinas, atualmente, o custo médio é de aproximadamente 1 mil libras esterlinas. 

O sucesso do modelo é tão grande no Reino Unido que entre 78% e 80% das residências possuem cobertura para perdas decorrentes de catástrofes naturais. Entretanto, essa realidade não se aplica para o Brasil, pois menos de 20% das casas possuem esse tipo de seguro no país.

“Pudemos ver e discutir um modelo de alagamento que eles fazem para residências no Reino Unido, que é um pool de seguros. Foi bastante interessante, mas no Brasil temos um gap de proteção ainda em relação a residências muito alto. Necessitamos aumentar o seguro nas residências no Brasil”, comenta Cláudia Prates, Diretora de Sustentabilidade da CNseg.

Além de ter pouca adesão a esse modelo, o país também sofre de forma cada vez mais intensa o efeito das mudanças climáticas. Um exemplo disso, foram as enchentes que atingiram o Rio Grande do Sul, em 2024. A tragédia foi considerada o maior sinistro da história do mercado segurador brasileiro junto com uma proteção securitária que esteve muito aquém das perdas totais. 

“Infelizmente, o Brasil tem sofrido cada vez mais com as mudanças do clima que  impactam diretamente a nossa economia. Vimos um impacto econômico muito grande que ocorreu no sul do Brasil, em que ainda não tínhamos um asseguramento devido a infraestrutura local”, comenta Maria Netto, diretora Executiva do Instituto Clima e Sociedade (iCS).

A COP30 e a Casa do Seguro

Após a tragédia no estado, a CNseg assumiu a postura de aproximar o seguro da sociedade civil. Um marco importante desse movimento foi a Casa do Seguro, mantida durante toda a realização da COP 30, em Belém do Pará. O espaço esteve aberto para a população e promoveu debates importantes que uniram a temática do seguro, sustentabilidade, governança e até questões sociais.

Ana Toni, CEO da COP 30, ressalta que a participação do setor de seguros foi extremamente positiva para o evento. “A participação do setor financeiro e do setor de seguros foi vital para o sucesso da COP 30. Nós trabalhamos de uma maneira muito conjunta. Agora o tema é olhar para os riscos, temos que incorporar e saber calcular esse risco, e não tem melhor organização que o setor de seguros para nos ajudar a fazer esse cálculo do risco e achar soluções”.

Ana também destaca que o seguro é um mecanismo essencial para a sociedade. “O setor de seguros vai ser um player fundamental em encontrar soluções que sejam viáveis e acessíveis, que mostram que investir na prevenção é muito mais barato do que depois que o desastre aconteceu. Então é nesse trabalho de prevenção à mudança do clima que o mercado vai ser priorizado e vai trazer as soluções que nós precisamos”. 

Agricultura 

Em razão dos impactos climáticos, a agricultura é um dos setores mais afetados, principalmente com as enchentes e secas, que destroem inúmeras plantações.

Sendo assim, a agricultura também esteve entre os temas debatidos no evento. Maurício Masferrer, diretor executivo de negócios corporativos da Allianz Seguros, comenta que a companhia é a segunda maior neste segmento e que trabalha principalmente em gestão e mitigação de risco para oferecer condições benéficas e customizadas para seus clientes.

“O seguro rural é fundamental para os produtores porque as mudanças climáticas estão aceleradas. Elas não são lineares, às vezes tem uma mudança brusca de clima que pode pegar o produtor rural desprevenido. O seguro serve para essas situações fortuitas”, ressalta Masferrer.

Risco cibernético

Além da agricultura, outro tema que também preocupa o mercado segurador são os riscos cibernéticos, devido ao avanço da inteligência artificial e ao crescimento dos ataques virtuais. 

“É algo que traz um alento em um cenário bem desafiador, especialmente com o avanço da IA, que me deixa um pouco atônito porque está muito acelerado e dá escala para as ameaças”, diz Vinicius Malacco, gerente de Linhas Financeiras da Tokio Marine.

Malacco reforça que o futuro está na tecnologia, com a inteligência artificial cada vez mais integrada à sociedade mundial. Nesse contexto, o seguro cyber gradativamente crescerá no mercado diante do aumento dos riscos virtuais.

No episódio também participaram: Antonio Patriota, embaixador de Londres no Brasil; Eduardo Folch, presidente da Allianz; Aguinaldo Ribeiro, deputado federal (Republicanos/PB), e Goret Paulo, diretora de Inovação e Pesquisa da FGV.

Confira o episódio completo:

https://www.youtube.com/watch?v=4BfrDY8WW7g&list=PLkPLK4Dz7GGi33zozft_2OemZrRGJqOfD&index=2

Bastidores do Seguro

Bastidores do Seguro é um videocast fruto da parceria entre a Revista Cobertura e a TV Planos Seguros (TVPS) apresentado por Carol Rodrigues, jornalista, escritora e editora da Cobertura.

O programa tem como objetivo mostrar a trajetória dos profissionais que constroem o dia a dia das soluções de seguros disponíveis para pessoas, bens e negócios. Para tanto, abordará como suas histórias têm contribuído para o avanço do seguro, em suas diversas modalidades, na sociedade brasileira.

Bastidores do Seguro integra a programação da TV Planos Seguros patrocinada pela Seguradora ALM. Os programas irão ao ar com frequência quinzenal no canal do YouTube da TV Planos Seguros e da Revista Cobertura.

Assista também pela LG Channels, SoPlay e NX Play

Além do YouTube, os programas exibidos pela TV Planos Seguros (TVPS) no IP 209 da LG Channels e também estão disponíveis pela SoPlay e NX Play.

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